As pessoas começaram a me enviar milhares de cartas e os CORREIOS quase entram em crise de logística, perguntando se eu moro no bairro bucólico de Cascadura no Rio de Janeiro, cercado de colinas verdejantes, onde desperto com o cantar dos galos e ao entardecer os passarinhos a cantar. Pura tranquilidade e ar puro, violência algo que passa bem longe, bairro cerceado de rios de águas límpidas. Sim, eu moro nesse pequeno paraíso urbano. E vivo num imóvel rústico do período colonial, e ocupo um “apartamento Studio” de 4 x 4 mt². Toda a construção é sustentável e socializante, integrando pessoas.
Esse pequeno vídeo do João Cascadura é uma homenagem a grandiosa obra e musical “A ópera do malandro”(1978) de Chico Buarque de Holanda, que influenciou e inspirou esse personagem fictício no Jornal*O CENTRO”. Eternamente grato Chico.
A entrada do meu prédio é um portal sem porta, para não termos a sensação de excesso de vigilância, e em cada andar temos um banheiro e a água obtemos em baldes pequenos (visando economia de água) em um vazamento da companhia pública, é o que chamamos de reuso de água. A iluminação é natural pois os buracos no teto visam exatamente isso, a eficiência energética; no meu “ap Studio”, acabo por respeitar os traços do período da construção, com isso seguindo a orientação do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico).
O empreendimento ainda possui área de lazer (a pracinha ao lado), vista panorâmica para um terreno baldio e o restaurante com comida típica do bairro, o famoso “Pé de porco”. Como todos sabem, sou entre outras coisas designer de interiores, com diploma comprado na praça da Sé. E com tamanha inspiração, uso mobília de reciclagem: lona de caminhão como tapete, cadeira e mesa de caixotes obtidos no CEASA, e nas paredes quadros de autores desconhecidos, pois dessa forma dou visibilidade aos artistas anônimos.
Como moro no final do que antes chamavam de cortiço, ou imóvel retrofitado, o meu “ap” não tem janela, dando um clima de privacidade. A cozinha é no restaurante popular, caso contrário posso degustar no “Pé de porco”, com o seu cardápio mui criativo. E não posso deixar de falar da minha vizinhança sempre fitness, bem magrinhos e pessoas anti-consumistas com roupas antigas e sem grife, demonstrando que estar mal vestido é charmoso e um ato de protesto.
Com isso, estou provando que é somente dar uma atenção as várias oportunidades de imóveis e veremos que a falácia comunista de que há crise habitacional no Brasil é uma mentira deslavada; basta visitar onde resido e veremos como mil pessoas cabem em minúsculos “ap Studios”, num número esplêndido de 20 unidades. Por isso afirmo que “colocando com carinho sempre entra mais e mais”. O que falta são profissionais do meu quilate e, por falar em que late, ainda tenho o meu auau, o CHOPIN. Tudo é uma questão de analisar a realidade e as oportunidades do mercado imobiliário.
Eu sou o João Cascadura, um rapaz performático que já decorou e customizou vários imóveis deste tipo. Atendo pessoas de fino trato a domicílio, levando minha visão única para transformar qualquer espaço em uma obra de arte.

